a inveja

É Virgílio quem adverte o jovem Dante, caminhando pelas trilhas do Purgatório:

“A inveja vos atormenta, porque os vossos desejos
olham àqueles bens terrenos, dos quais tanto mais o gozo
diminui quanto mais são os que nele participam.

Se o amor da suma esfera encaminhasse os vossos desejos
para o alto, não teríeis no coração o receio que
outrem pudesse diminuir um instante o vosso gozo;

naquele claustro, isto é, no Céu, ao contrário da Terra,
quanto são mais a gozar de um mesmo bem,
tanto mais cada um goza.

(…)

Quanto maior é o número dos que no Céu amam,
tanto mais ocasião vos é de amar com santo amor,
bem como espelho um ao outro refletindo”.

(A Divina Comédia, II.xv)
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