pastores e modelos
Eugene Peterson em entrevista à editora Eerdmans publicada em fevereiro de 2005:
Quando me tornei pastor, eu não sabia o que é ser pastor. Eu percebi que era uma vida muito complicada em que eu tinha de lidar não somente com o Pai, Filho e Espírito Santo, mas com almas preciosas da congregação. Mas quando olhei ao redor, parecia que muitos pastores do meu país tinham adotado a linguagem do mercado e dos empresários (despersonalizando as “almas” e transformando-as em consumidores ou clientes) e tornado os sociólogos e psicólogos seus mestres (desprezando o auxílio dos teólogos e dos artistas). Eles adaptaram a vocação pastoral para servir ao critério de sucesso tal qual é definido pela cultura norte-americana. Eu quis recuperar, para mim mesmo, as condições bíblicas e teológicas em que eu pudesse ser um pastor com integridade — e sendo um escritor, escrever era uma forma de descobrir e articular o que eu estava procurando. Escrevi meus livros antes de tudo para mim mesmo, tentando entender e viver em minha congregação o que notei que os pastores que me precederam haviam feito por 2.000 anos. Nesse processo, desenvolvi um senso de urgência e responsabilidade no sentido de resgatar o entendimento do que é vocação pastoral para meus irmãos e irmãs que pastoreiam.
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Esse foi sempre meu problema com o chamado “movimento de crescimento da igreja”, que no fim ele funciona mas gera um tipo de igreja que é mais empresa do que lar. A resposta dos proponentes do movimento é que a Igreja é o ponto de contato entre Deus e as pessoas, e “crescer a igreja” é a única opção se levamos a sério a necessidade das pessoas encontrarem a Deus.
Não estou convencido. Para mim, o trabalho do pastor (e da igreja) está sempre arriscando a derrota e desastre para não comprometer a integridade. Ou no meu caso, isto talvez não passe de romantização e justificação do meu próprio fracasso, mas a gente faz o que pode…