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	<title>Gladir Cabral &#187; Carol Gama</title>
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	<description>Uma pessoa é uma voz. Uma voz custa a envelhecer.</description>
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		<title>canção quase inquieta</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 17:32:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gladir Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi em Belo Horizonte, numa exposição da artista plástica Carol Gama, que conheci este poema de Cecília Meireles.  Ao chegar em casa, fui correndo buscar o velho livro Flor de Poemas, que repousava calmamente em minha estante.  Percebi, então, que eu já havia lido e esquecido o poema.  Como pode isso? Pode, sim. Nossa memória [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="carol gama1" rel="lightbox[pics330]" href="http://www.gladircabral.com.br/wp-content/uploads/2009/07/sdc-2009-671.jpg"><img class="attachment wp-att-331 alignright" src="http://www.gladircabral.com.br/wp-content/uploads/2009/07/sdc-2009-671.jpg" alt="carol gama1" /></a>Foi em Belo Horizonte, numa exposição da artista plástica Carol Gama, que conheci este poema de Cecília Meireles.  Ao chegar em casa, fui correndo buscar o velho livro <strong>Flor de Poemas,</strong> que repousava calmamente em minha estante.  Percebi, então, que eu já havia lido e esquecido o poema.  Como pode isso? Pode, sim. Nossa memória é frágil e por isso é preciso que leiamos os velhos poemas sempre de novo e que cantemos mais uma vez as velhas canções.</p>
<blockquote><p><strong>Canção Quase Inquieta</strong></p>
<p>De um Lado, a eterna estrela<br />
e do outro a vaga incerta,</p>
<p>meu pé dançando pela<br />
extremidade da espuma,<br />
e meu cabelo por uma<br />
planície de luz deserta.</p>
<p>Sempre assim:<br />
de um lado, estandartes do vento &#8230;<br />
- do outro, sepulcros fechados.<br />
E eu me partindo, dentro de mim,<br />
para estar ao mesmo momento<br />
de ambos os lados.</p>
<p>Se existe a tua Figura,<br />
se és o Sentido do Mundo,<br />
deixo-me, fujo por ti,<br />
nunca mais quero ser minha!</p>
<p>(Mas, neste espelho, no fundo<br />
desta fria luz marinha<br />
como dois baços peixes,<br />
nadam meus olhos à minha procura &#8230;<br />
Ando contigo &#8212; e sozinha.<br />
Vivo longe &#8212; e acham-me aqui&#8230;)</p>
<p>Fazedor da minha vida,<br />
não me deixes!<br />
Entende a minha canção!<br />
Tem pena do meu murmúrio,<br />
reúne-me em tua mão!</p>
<p>Que eu sou gota de mercúrio<br />
dividida,<br />
desmanchado pelo chão &#8230;</p>
<p>(Cecília Meireles, <strong>Flor de Poemas</strong>, 4. ed., 1972, p. 81)</p></blockquote>
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