eternidade sobre a mesa
Amigos, sei que é difícil encontrar hinos e cânticos para a ceia. Acabei de escrever um e compartilho. A simplicidade da Ceia e, ao mesmo tempo, a sua riqueza teológica e poética fascinam qualquer artista, de Dali a Chico Buarque. Falar de pão, falar de vinho, falar de mesa, falar de tempo e eternidade: eis o desafio de escrever sobre a Santa Ceia.
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Este é o meu corpo
Que é repartido
Como um gesto de amor
Flor que vem do campo
Se transforma em trigo
Vivo pão que dá sabor
Sabor de sal, suor
E dor e riso e sol
Eternidade sobre a mesa
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Este é o meu sangue
Que é derramado
Na aspereza de uma cruz
É o vinho novo
Aliança nova
Brilho intenso de uma luz
E a luz venceu
A mais profunda escuridão
E abriu os olhos da esperança
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(Gladir Cabral)
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só
Deixa eu compartilhar minha alegria. Entre as tantas coisas boas que têm acontecido comigo nos últimos anos, estão as parcerias com músicos de toda parte do Brasil e de fora. Ontem mesmo realizou-se um sonho antigo: fiz uma canção com Paulo Nazareth, a quem tanto admiro. Não preciso nem comentar sobre minha admiração pela arte produzida pelo Crombie. Venho acompanhando com admiração cada canção, cada disco e, quando posso, cada vídeo. Grandes talentos: Paulo Nazareth, Felipe Vellozo, Filipe Costa, Lucas Magno e Gabriel de Oliveira Luz.
Aqui está a canção que fizemos juntos. Fala da importância de andar em comunhão, de vivermos comunidade, de sairmos do laço do passarinheiro chamado individualismo.
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Só
Pode uma estrela só
Ser constelação?
E uma andorinha só
Se fazer verão?
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Claro que não,
Que é preciso bem mais [sempre]
Mais do que a intensão
Claro de luz
Força plena do olhar [puro]
Graça de comunhão
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Pode uma rosa só
Se fazer jardim?
E uma pessoa só
Ser começo e fim?
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Cada pessoa
É uma vida, é uma voz [forte]
Uma resposta a Deus
É uma parte
Do todo é um nós [junto]
É saudação e adeus
Pode uma fibra só
Ser um coração?
E uma palavra só
Se fazer canção?
Paulo Nazareth & Gladir Cabral
a santa palavra
Na semana passada, tive o privilégio de me apresentar no projeto cultural Autorretrato da Música Cristã Brasileira, na Universidade Mackenzie. Uma experiência muito especial para mim. Entre uma gravação e outra, num breve intervalo, manhã de sexta-feira, fui ao Cemitério dos Protestantes. Fui logo visitar o local onde estão sepultados Ashbel Green Simonton (1833-1867), de quem reli o Diário este ano, e José Manoel da Conceição (1822-1873), cuja vida me fascina.
Há tempos venho querendo musicar algum poema de Conceição. Finalmente, tive a oportunidade e compartilho. Este poema, escrito em 1867, transpira simplicidade, devoção e esperança, virtudes que caracterizaram uma vida inteira. Nascido na capital, mas viajando por todo o inteiror do Estado de São Paulo, Conceição foi um peregrino. Por isso, tentei evocar na melodia duas referências fundamentais: os hinos protestantes que ele tanto amava e a música caipira, que certamente ele tanto ouviu.
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Escreve tu com própria mão,
Escreve, onipotente Rei,
Teu nome n’este coração.
E n’esta mente a Tua Lei.
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Vi outros reinos, ó meu Deus!
Devotos sempre os rende a Ti;
Os ilumina desde os céus,
E acenda Tua graça em mim.
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Teu nome e Tua Lei, Senhor,
Me fazem reto caminhar,
Vontade, inteligência, amor,
Guiando até os dominar.
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Se o meu Deus, em galardão,
E em meu apoio Se tornar,
A eternidade imensa, então,
Será o tempo de eu O amar.
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canção para johana
No último dia 03 set 11 a Johana se formou em direito. Em meio às cerimônias de formatura, jantar, família reunida, fiz uma canção que tenta sintetizar as emoções do velho pai. A canção tem duas partes: a primeira vez que a vi, ainda no hospital, recém-nascida, numa bandejinha revestida com uma toalha branca; e agora, já mulher, dona do seu próprio destino.
Segue a letra da canção, com muito amor. Fotografia e piano, Daniel Lenço.
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Canção para Johana
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Quando te vi chegar ao mundo
Eras assim pequenininha
Feita uma rosa num jardim
Olhando para mim
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Tomei-te logo nos meus braços
Olhei no fundo dos teus olhos
E suspirei um longo sim
Que já não tem mais fim
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E veio o sol iluminar
As brincadeiras na calçada
Uma palmeira à beira mar
E uma vontade de sonhar
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Mas chega um tempo e a gente acorda
E dá ciência da mudança
Aquela flor virou mulher
Já sabe o que quer
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E quer achar o seu caminho
Traçar as pontas do destino
Provar da vida o que puder
E venha o que vier
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E vem o sol te convidar
A outros ares e lugares
Aquelas portas irão se abrir
E o futuro vai sorrir
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um dos últimos santos vivos da casa de Israel
“Estiveste com um dos últimos santos vivos da casa de Israel!?”. Foi o que me respondeu o Gerson Borges quando eu disse que havia estado com o pastor Elben Lenz Cesar. E foi exatamente a sensação que tive ao visitar sua casa em Viçosa (MG). Conversamos na sala de estar, ao lado de sua esposa e da filha Júnia, lembrando de lugares, pessoas, momentos na vida daquele servo de Deus.
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Fui convidado a visitar seu escritório, no segundo andar, e folhear seus livros, algumas raridades, livros de teologia que pertenceram ao avô, obras do início do século XX. Na parede do escritório, um quadro raro de Cristo, sorrindo. Aliás, o bom humor e o sorriso parecem ser algumas das marcas do Rev. como é chamado na comunidade. Mas além do humor, o amor pelo evangelho, a humildade totalmente invisível, tão próxima da terra, do chão, e a devoção pela Escritura. Sobre a mesa a Bíblia aberta, uma folha para anotações e a lapiseira.
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Que alegria poder rever o Rev. depois de 25 anos de caminhada por este Brasil. Tempo de refrigério e de alegria na vida desse ainda jovem andeiro.
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embaubar
Você já ouviu falar de uma árvore chamada embaúba? Ela é típica da Mata Atlântica. É classificada como uma árvore pioneira, pois depois de um desmatamento ou de um incêndio na floresta, é a primeira espécie a ressurgir. Cresce rapidamente, dá frutos que alimentam pássaros, bichos preguiças e até formigas se aninham em seu tronco. Árvore teimosa, generosa e resistente, tornou-se símbolo de um grupo de semeadores culturais que conheci em Viçosa (MG): o grupo cênico ART490.
Eles promovem encontros para divulgar, mostrar e debater a arte brasileira. Como não poderia deixar de ser, a cultura mineira é um dos ingredientes fundamentais dos encontros culturais chamados de “Embaubar”. Ali se pode compartilhar muita música, poesia, dança, pintura e fotografia, num ambiente de muita sensibilidade, amizade e emoção.
Eu tive a honra de ser convidado pelo grupo para o II Embaubar. Um privilégio que jamais esquecerei. Num ambiente de muita concentração, ouvi poemas inesquecíveis, canções de Milton Nascimento, canções de Liz Valente e Zilbinho. Compartilhei canções, ainda que totalmente rouco e ensurdecido por um resfriado sem tamanho. Compartilhei também o projeto do Museu da Infância, desenvolvido em minha Universidade (Unesc) e do qual façoparte com muita alegria (www.museudainfancia.unesc.net). Ali pude cantar algumas canções falando de Minas, amigos, memórias, infância, Brasil.
Ali também ouvi uma canção belíssima: “Menino da Pipa”. Carregarei para sempre comigo a memória dos dias passados em Minas Gerais. Carregarei a lembrança das faces, das vozes, os olhares de tanta gente jovem, inteligente, cheia de inspiração e amor pela vida. Alguma coisa me diz que eu também sou Minas Gerais.
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Menino da Pipa
(Liz Valente & Lucas Rolim)
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Ô Menino vem cá
Menino da pipa amarela o céu, vasto céu, é o seu mar
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O pouco que tem divide comigo
Da repartição tudo pode virar
Um prato mexido, farofa, feijão
Ideias à mesa amizade à mão
Do café passado no passar dos dias
Da minha varanda eu reparto o quintal
Da minha vontade… Tudo o mais!
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O vento é chão pra sonhos se ter
Seu pé tem raiz nessa terra seu lar
O muito que sonhas divide comigo
Um caminho trilhado sem solidão
De suas histórias eu bem que conheço
Sua pipa amarela é Minas Gerais
É vôo de muitos Brasil… Em um só lugar
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Ó Minas Gerais
Ô Menino vem cá
Ó Minas Gerais
Ô Menino vem cá
Quem te conhece não esquece jamais
Menino da pipa amarela o céu, vasto céu, é o seu mar
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o retrato
O professor de teologia R. Paul Stevens diz em seu livro A espiritualidade na prática: “Raízes e asas são dois presentes que os pais podem dar aos filhos, e sem raízes não pode hver asas — nenhum rompimento, nenhuma partida” (p. 24). Meus pés estão bem plantados no chão da fé onde meus pais me cultivaram. Continuo sobrevoando este mundo como andorinha escapa do inverno e deseja novos ares. O tempo que minha mãe gasta comigo em oração e devoção me abençoa uma eternidade. Sou eternamente grato a ela.
O poeta amado Mário Quintana, em seu livro Lili Inventa o Mundo, disse certa vez:
Mãe são três letras apenas
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o Infinito.
E palavra tão pequena
- confessam mesmo os ateus -
É do tamanho do Céu!
E apenas menor que Deus…
Deixo aqui minha homenagem à minha querida mãe numa canção cheia de memórias da infância, cheia de imagens, sons, cheiros, sensações e momentos que um dia vivi com intensidade.
Vento, sopra o relógio do tempo
E faz o meu pensamento reconhecer a manhã
Dentro de uma neblina encantada
A minha infância sonhada de uma vontade tão sã.
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Uma criança no colo da mãe,
O aconchego de amor e canção.
Cheiro de pão e de bolo no ar
E na janela uma voz a chamar assim:
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“Filho, vem que o café tá na mesa.
Chama também teus amigos
E depois volta a brincar”.
Riso no seu olhar lacrimado
E no meu peito apertado
Guardo essa voz a soar.
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Noite, o mais sagrado momento,
Filhos em volta, atentos para orar e aprender,
Contos de uma sagrada escritura
Lida com tanta ternura. Quem poderá esquecer?
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Sopra esse vento a folhagem no ar
E faz o mundo girar e girar
Só o retrato na sala de estar
Mostra essa mãe a sorrir e a olhar para o
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| : Filho que conheceu esse mundo
E o amor mais profundo que é o mistério de Deus.
Tudo passa na vida tão breve
Menos o amor que se teve e que não vai se perder… : |
Se perder… Se perder… Se perder…
poeta é Deus
Tudo o mais é uma folha de alfazema
Que o vento leva no doce perfume da açucena,
Águas passadas nas longas braçadas do moinho,
Leve desenho na pena de um livre passarinho.
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Eterno é Deus,
E o resto é a sombra de uma nuvem
Sobre a corrente das águas que de repente surgem
E prontamente se escoam na sequidão da terra,
Um pensamento, uma flecha do arqueiro, quando erra.
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Poeta é Deus,
Sou apenas o verso de um poema.
Ele é palavra, eu sou o desejo de um fonema,
Verso branco, breve
À espera do seu tema.
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Eterno é Deus,
Tudo o mais é uma gota de sereno
Que de manhã cobre a folha da grama no terreno.
Ao meio-dia é apenas lembrança pouca e vaga,
É trilha incerta, é uma estrada deserta e ensolarada.
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Poeta é Deus,
Sou apenas poeira do caminho.
Ele é o rio que me leva assim, devagarinho,
Pela vida afora, nunca mais sozinho.
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alhambra
Atendendo a pedidos que ainda vão ser feitos {:-)}, aqui está a letra da canção “Alhambra”, feita em parceria com Gerson Borges. Abaixo o link para o video da apresentação no Som do Céu 2011. Estar ao lado do GB naquela noite ficará “nas memórias das minhas retinas fatigadas” (muito obrigado, Carlos Drummond!) como um dos momentos mais preciosos da minha vida já não tão curta.
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Queria tocar os sinos
Da majestosa catedral
Pensei em compor os hinos
Pintar as faces do vitral
Mas tu me fizeste olhar o chão
E repintar os rodapés
Silenciar em meio à sombra do jardim
E foi assim que eu aprendi
A aguardar o tempo bom
A viração do vento sul
O recomeço da estação
Para plantar, para regar, para podar
Para sonhar o renascer da floração
Perto da terra, umedecer
Em meio à horta, serenar
Tua vontade obedecer
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Um dia a tristeza disse
Que eu nunca mais seria alguém
Melhor que eu me demitisse
Pulasse deste velho trem
Mas tu me fizeste olhar o céu
E eu comecei a ver melhor
Ver teu amor a envolver a minha dor
E me fazer voar além
Da torre desta catedral
Ares de Allambra, luz e bem,
Logo depois de Portugal
Beira de rio, onda do mar, vento mais frio
Luz do luar, perto da Estrela D’alva
Pra ver a Terra amanhecer
E com o sereno repousar
Onde tua mão me colocar
(Gerson Borges & Gladir Cabral)
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andeiro
Esta canção nasceu na semana que passei em Campinas (SP) gravando o DVD Casa Grande em 2008. Foi um momento muito precioso da minha vida, como uma parada mesmo, ao longo do caminho, para descansar e repensar a trajetória da vida. Foi ali que nasceu esta canção que só agora consigo postar no blog.
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O velho pé de ipê ao pé da serra
estende os braços pro desfiladeiro
carrega sobre os ombros toda história
que viu e ouviu ao pé do tabuleiro
É dono do silêncio mais profundo
que por sinal é o som mais verdadeiro
de tudo o que se passa neste mundo
de tudo o que é eterno e passageiro
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Seus braços bem abertos para a vida
acenam de um modo sobranceiro
despedem quem já estava de partida
e acolhem quem fugiu do aguaceiro
E eu que só estava de passagem
me sinto em casa neste paradeiro
deixei de lado o peso da bagagem
e repensei meu rumo, meu roteiro
e recontei meus passos de andeiro
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Campinas, 27 jul 2008







