joyful!

glauber3.jpg

Meu querido amigo Glauber está de CD novo. Trata-se do Joyful, um trabalho instrumental reunindo a sonoridade da flauta e do piano, o alento e o ritmo, o vento e as cordas. Tudo é gravado ao vivo, sem emendas, sem truques de estúdio. Tudo muito denso e verdadeiro. O CD se propõe a ser um diálogo entre piano e flauta, uma conversa, que começa com uma releitura de uma antiga canção medieval, “Greensleeves across a far horizon”, e faz citação ao tema, mas nos colocando sempre à distância, sempre a caminho em direção, quem sabe, ao horizonte. “Joyful” brinca com a nona sinfonia de Beethoven, numa interpretação meditativa em alguns momentos e intensa em outros. “Like a dove” começa com uma delicadeza deliciosa, sugerindo tom e atmosfera. Mas pouco a pouco vai alçando vôo. Se fecharmos os olhos, podemos ver o vôo da ave por sobre as praças, as torres das igrejas, por sobre os prédios da grande cidade. Há várias passagens muito variadas, como se o vôo nos levasse a diferentes lugares, diferentes paisagens. “Malacandra” tem um título misterioso que vem da obra ficcional de C.S. Lewis, é o planeta Marte. O tema se desenvolve calmamente, uma parada para olhar o espaço. “Breath” celebra o espírito da vida, a respiração que se torna som e sentimento no sopro da flauta, embora a primeira frase da música seja a do piano. A flauta entra como resposta, reagindo aos temas trazidos pelo piano. O ritmo da música se altera, passando a uma segunda fase em que a presença da flauta vai se tornando mais destacada. Outras variações transformam esta música numa peça bastante diversificada, complexa, num crescendo que desemboca num lago sonoro que leva ao final. “Words of the thunder” começa com a flauta parecendo anunciar um dia de sol, que vê o vendo chegando, carregando folhas, trazendo ritmos mais marcados pelo piano, até chegar uma mudança alegre e agitada marcada pelo som de um apito inusitado. Que surpresa! O ritmo vira um redemoinho, que leva à calmaria do final. “Faithful friend” é uma ode à amizade, tudo a ver com a proposta do disco.

Parabéns ao Glauber e ao Jack Urban por mais este presente.

asas da páscoa

A Páscoa vem chegando, eis aqui um belo poema de um poeta metafísico: George Herbert. Observe como seu poema é formalmente inovador. Você consegue imaginar o que estes versos desenham?

SENHOR, que criaste o homem em riqueza e bens,
embora ele tenha perdido tudo tolamente
decaindo mais e mais
até ele se tornar
mais pobre:
Contigo
deixa-me subir
como a cotovia, em harmonia,
e cantar neste dia tuas grandes vitórias:
Então minha queda alçará meu vôo em mim.

Minha tenra idade começou em tristeza:
e com enfermedidade e dor
Tu castigas o pecado,
até eu me tornar
assim, fino.
Contigo
deixa-me andar
e sentir neste dia tua vitória,
pois, se eu fincar minhas asas em ti,
a aflição vai impulsionar meu vôo em mim.

George Herbert (1593-1633)

 

 

Agora veja como fica muito melhor na língua original:

 

LORD, who createdst man in wealth and store,
Though foolishly he lost the same,
Decaying more and more,
Till he became
Most poor :
With thee
O let me rise
As larks, harmoniously,
And sing this day thy victories:
Then shall the fall further the flight in me.

My tender age in sorrow did beginne:
And still with sicknesses and shame
Thou didst so punish sinne,
That I became
Most thinne.
With thee
Let me combine,
And feel this day thy victorie,
For, if I imp my wing on thine,
Affliction shall advance the flight in me.

George Herbert (1593-1633)

Darrell Grayson: lamento por um poeta

Meu querido amigo Glauber estudou no Seminário de Campinas. Fomos contemporâneos lá pelo início da década de 1980. Músico admirável e mente brilhante, Glauber é um grande companheiro de papos teológicos, filosóficos, e muitas canções. Alma de flautista, cultivador da boa música clássica e de jazz, continua tocando e cantando. No início da década de 1990, foi para os Estados Unidos, casou-se com Henrieta e vive lá até hoje.

glauber.jpg

Nos States, Glauber conheceu uma figura rara, um poeta condenado à morte. Quero compartilhar aqui seus registros sobre a perda de um amigo, de um grande amigo. Para os que quiserem conhecer o blog do Glauber, o endereço é: http://wsmusic.blogspot.com.

Hoje, há mais ou menos uma hora, meu amigo Darrell Grayson foi assassinado. Às 16h do dia 26 de julho de 2007, um oficial do estado de Alabama injetou nele três tipos diferentes de veneno. Três vezes morto — morto além da conta. As circunstâncias de sua vida e morte são muitas para que eu possa descrever agora, e são facilmente disponíveis na Internet. Darrell nasceu pobre e cresceu rodeado pela violência e pelo desespero. Em 1982 foi indiciado num crime terrível, representado por um advogado incompetente, condenado à morte, e viveu na fila de execução até hoje. Usando os pouquíssimos recursos que podia conseguir, ele superou a depressão, estudou sozinho, aprendeu a escrever poesia, publicou livros e tocou muitas vidas. Ele é uma inspiração para todos nós, e eu me considero abençoado por tê-lo conhecido um pouco. Cheguei em casa hoje, vindo do trabalho, no exato momento em que tudo se acabava. Tirei meu bandolim da caixa e toquei “Amazing Grace” tão alto quanto pude, em sua homenagem.

Até logo, Darrell!

darrell.jpg

No dia seguinte, Glauber escreveu:

Darrell foi declarado morto às 16h16 CDT (2316 GMT) na prisão de Atmore prison. Um de seus amigos testemunhou sua morte. Sua última refeição foi queijo, omelete e tomates frescos. Sua última palavra foi: “paz”.

Agora ele se foi
Senhor, ele se foi
Como uma locomotiva
rolando pelo trilho
Ele se foi
Ele se foi
e nada vai fazê-lo voltar
Ele se foi
Para onde o vento não sopra tão estranho
Talvez em alguma montanha alta
Perdeu uma volta mas o preço não era nada
Faca nas costas e mais do mesmo
O mesmo velho rato no ralo do esgoto
Na encosta da montanha
Você sabe melhor mas eu o conheço
Agora ele se foi
Agora ele se foi
Como uma locomotiva
rolando pelo trilho
Ele se foi
Ele se foi
e nada pode trazê-lo de volta
Ele se foi….
(Robert Hunter)

fina esperança

futebol.jpg

Eis uma canção que gosto muito de cantar. A versão que segue foi gravada entre 1992-1996, tem os arranjos de Churchill Street e a voz de Ismael Leandro. Imaginar Jesus brincando de bola de meia me faz sorrir de alegria. Imaginá-lo na Praça de Maio, em Buenos Aires, me faz suspirar e pensar sobre sua presença e ausência na história de nosso continente.

Nasceu na favela do mundo
No fundo de um velho porão
No berço da nossa pobreza
Nas sombras da nossa opressão.
Brincou pelas praças de maio
Caiu e rolou pelo chão,
Correu pelas bolas de meia
Ouvindo e fazendo canção.
E cresceu entre aquelas crianças
E as andanças que fez no sertão
Para ser a mais fina esperança
De uma paz com justiça e mais pão.

Contou casos desconhecidos
E outros que a vida ensinou
Ao povo mostrou o caminho
E pelo caminho andou.
O pão, ele deu aos famintos
E fome com eles sentiu,
A dor, o desejo de vida
E afeto nos dias de frio.
E plantou as sementes de um reino
Onde crescem os frutos do amor
A cor não separa os amigos
E a ternura é bem mais que um favor.

Tocou bem na alma do povo
Nas suas feridas também
Aos mortos fez nascer de novo
Chorou pela perda de alguém.
Deu voz aos que nunca falaram
Calou os que só tinham voz
Aos surdos deu som e sentido
E mão aos que andavam sós
E plantou-se no meio da terra
E regou-se de sangue e suor
Mas brotou feito vida de novo
Na virada de um mundo melhor.

 
icon for podpress  Standard Podcast: Executar Agora | Executar num Popup

somos um

Somos um, esse é o título do mais recente trabalho de Jorge Camargo. Um livro para ouvir; um CD para ler. São oito canções inspiradas no pensamento e na vida de oito figuras raras do cristianismo: Irineu de Lião, Agostinho, pseudo Dionísio Areopagita, Anselmo, Francisco de Assis, Tereza de Ávila, João da Cruz e Thomas Merton. Uma obra de grande sensibilidade, Somos um agrega arte, poesia, simplicidade e candura.

somos um

Eis uma das canções: “Mistério”

Quem tem todos os nomes
E ao mesmo tempo nome algum
Que em tudo põe limites
E cujo limite é nenhum
Quem vai além da oposição
Entre o que tem e não tem fim
Que sai em direção a tudo
E permanece em seu jardim

Acima de todo o saber
De todo o crer, toda razão
Além de toda a compreensão
De todo esforço sério
De toda a investigação
Eis que habita em nós,
Eis que habita em nós
Mistério

Tentar saber seu nome
É navegar na imensidão
Do mar que está dentro de si
É mergulhar no coração
E ao mesmo tempo se deixar
Sair além do próprio eu
Render-se por inteiro àquele
Que a alma insiste em chamar “Deus”

Acima de todo o saber
De todo o crer, toda razão
Além de toda a compreensão
De todo esforço sério
De toda a investigação
Eis que habita em nós,
Eis que habita em nós
Mistério

(Jorge Camargo)

Confira no site: www.jorgecamargo.com.br

a poda

No banquete final dos demônios, Murcegão pede a palavra, dá conselhos aos aprendizes todos e propõe um brinde. Em certa altura de seu discurso ele conta uma história:

Creio que você se lembram do que aconteceu quando um certo ditador dentre os gregos (naquele tempo ostentavam o nome de tiranos) enviou um embaixador a outro ditador vizinho para pedir-lhe lições a propósito de princípios de governo. O segundo ditador conduziu, então, o referido embaixador a um campo de cereais e pôs-se ali a decepar, com seu canivete, as pontas de todas as plantas que se salientassem sobre o nível das demais. A lição era demasiado objetiva. Queria ela dizer: não permita que nenhum de seus súditos se saliente. Não deixe ninguém viver que se mostre sábio, melhor, mais famoso ou mesmo mais insinuante do que a mediocridade geral. Nivele a todos os súditos de modo que fiquem perfeitamente iguais; todos escravos, todos nada mais do que meras cifras, todos verdadeiros ‘ninguéns’. Todos iguais.

(C.S. Lewis, Cartas do Inferno, p. 216-7)

a novidade

menino e pipa

Seguem os conselhos do tio Murcegão ao seu aprendiz de demônio:

O horror para com a mesma velha coisa é uma das obsessões mais vantajosas que temos suscitado no coração humano — sendo uma fonte inexaurível de heresias em religião, de insensatez nos parlamentos, de infidelidade na vida conjugal e de inconstância nas amizades. Os seres humanos existem no tempo e experimentam a realidade de modo sucessivo. Para experimentá-la de maneira abundante, eles têm de buscar muitas coisas diferentes; em outras palavras, têm de estar à cata de mudanças. E, uma vez que assim necessitam de mudança, o Inimigo (sendo hedonista como é), tornou-lhes prazeirosa essa experiência, embora não admita que tomem a mudança como fim em si mesma, como acontece, aliás, com o comer, por isso procurou equilibrar-lhes o gosto pela mudança com o reconhecimento do valor da permanência. O Inimigo tem envidado em satisfazer a ambos esses gostos no mundo que mediante a união da mudança com a permanência que designamos de ritmo. Ele lhes proporciona as estações, cada estação sendo diferente, não obstante, recorrendo todos os anos, de modo que a primavera pareça sempre uma novidade, embora não passe da repetição de um fato imemorial. Ele lhes outorga, através da Igreja, um ano espiritual; passam de um período de jejuns a um período de festas, mas é a mesma festa que antes existira.

Ora, exatamente como tomamos os prazeres relacionados com o comer e, pelo excesso, produzimos o vício da gulodice, também tomamos essa tendência natural para a adoção de mudanças e deturpâmo-la de modo que se degenera em exigência por novidades absolutas. Tal exigência é coisa de criação exclusivamente nossa. Se negligenciarmos os deveres, os homens terminarção não somente felizes, mas até mesmo extasiados, em face da novidade e familiaridade, ao mesmo tempo, da queda da neve na estação fria, do nascer e do pôr do sol pela manhã e à tarde de cada dia, e dos doces que constituem variedades de todo Natal. As crianças, até que as tornemos melhores para nós, sentir-se-ão perfeitamente felizes com uma recorrência de tipos de jogos e brincadeiras em que vemos os papagaios de papel a sucederem a outras distrações, consoante se trate da primavera, do verão, do outono ou do inverno. Devido tão somente a nossos esforços incessantes é que conseguimos fazer prevalecer a exigência no sentido da mudança indefinida e destituída de ritmo. Essa exigência nos é muito prestimosa por várias maneiras. Em primeiro lugar, ela diminui o prazer na mesma medida em que intensifica o desejo. O prazer da novidade, por sua própria natureza, fica mais exposto do que qualquer outro à lei da menor recompensa. E, a continuidade da novidade implica em dispêndio de recursos, de modo que o desejo correspondente concita à avareza e resulta em infelicidade, ou as duas coisas simultaneamente. E, ainda mais, quanto mais voraz se revelar esse desejo tanto mais cedo devorará todas as fontes inocentes de prazer, levando as vítimas a demandarem outros prazeres de entre os proibidos pelo Inimigo. Assim sendo, inflamando o horror para com a mesma velha coisa temos consgeuido fazer com que as artes, por exemplo, se venham tornando recentemente menos perigosas para nós do que foram em tempos idos, de modo que, tanto os artistas mais sérios como os menos sérios se vêem empolgados pela imposição de cada vez mais novos excessos nos domínios da lascívia, da insensatez, da crueldade e do orgulho. Finalmente, o desejo por novidades é indispensável, se é que temos de dar origem às modas e aos costumes em voga.

(C.S. Lewis, Cartas do Coisa Ruim, p. 156-9).

flor do cerrado

flor do cerrado

Eu vi nascer a flor do cerrado. Trata-se do mais belo trabalho já feito pelo músico cristão Carlinhos Veiga. O disco traz uma bela e ousada mescla de música cristã brasileira e música popular brasileira. “Rara flor”, de Carlinhos Veiga, é a mais singela e forte declaração de amor que alguém pode cantar. A “Canção para o Miguel” é de uma delicadeza, de uma ternura que só se encontra entre as flores mais raras do cerrado. Não há como ouvir “Poeira”, de Serafim Colombo Gomes e Luís Bonan, sem sentir o coração bater mais forte. Não há como não rir de alegria e surpresa ao ouvir esta versão de “Pagode em Brasília”, de Lourival dos Santos e Teddy Vieira.

Site do Carlinhos: http://www.carlinhosveiga.com.br/home.php

Blog do Carlinhos: http://carlinhosveiga.blogspot.com/

observador de igrejas

igreja-luterana-sao-paulo.jpg

Continuo em minha releitura do C.S. Lewis e estou agora lendo o Cartas do Coisa Ruim. Topei com este curioso parágrafo em que o tio Murcegão sugere que seu sobrinho aprendiz seja mais atento quanto ao vínculo que o seu “paciente” estabelece com a Igreja. Tome nota:

Em sua última carta, você fez uma referência casual ao fato de que o paciente tem continuado a freqüentar só uma igreja, tão somente uma, desde que se converteu e sente-se inteiramente satisfeito com ela. Permite-me perguntar-lhe o que está fazendo? Por que não me envia informações sobre as causas dessa fidelidade que o paciente revela para com a igreja local? Você já se apercebeu que, a menos que isso provenha de alguma atitude de indiferença, é uma coisa muito ruim para nós? Certamente você deve bem saber que se um indivíduo qualquer se mostra inveterado em sua freqüência à igreja, a melhor coisa que temos a fazer é conseguir que ele se ponha a percorrer as circunvizinhanças em busca de uma igreja que melhor lhe convenha e assim permaneça até que venha a se tornar um observador ou pessoa familiarizada com várias igrejas.

Os motivos são muito claros. Em primeiro lugar, a igreja local deve ser objeto de ataques constantes de nossa parte porque, sendo uma unidade local, e não de indivíduos que se sintam iguais, ela congrega pessoas de classes sociais diferentes e de traços psicológicos distintos de modo a tornar viável a espécie de unidade que o Inimigo requer. O princípio congregacional, por outro lado, faz com que cada igreja se torne um tipo de clube e, finalmente, se tudo decorrer em harmonia, um tipo de associação ou partido. Em segundo lugar, a busca de uma igreja que melhor convenha faz com que o indivíduo se torne um crítico, quando se sabe que o Inimigo o deseja como discípulo. O que o Inimigo requer do crente na igreja é uma atitude que pode, com efeito, ser crítica no sentido de rejeitar o que for falso ou inúvil, mas que é inteiramente destituída de espírito crítico no sentido de não fazer avaliações — não gastar tempo em reflexões a respeito do que se rejeita — senão abrir-se sem reservas, tornando-se humildemente receptivo aos vatores de nutrição espiritual que forem ministrados. (Você vê como o Inimigo se degrada, sem a necessária espiritualidade e quão irremidiavelmente vulgar Ele é!) Essa atitude, especialmente durante a entrega dos sermões, cria as condições (em sua maioria hostis para com toda maneira de agir que empregamos) nas quais noções absolutamente claras possam ser apreendidas por almas humanas. Dificilmente se encontrará um sermão ou um livro que se não mostre desastroso para nós quando os ouvintes se comportam assim. De maneira que eu o concito a que se esforce mais e mais no sentido de conseguir que esse bobo se ponha a percorrer as igrejas vizinhas assim que for possível. O relatório de suas atividades até esta data não nos tem proporcionado grande satisfação.

(C.S. Lewis, Cartas do Inferno, p. 105-6).

pastores e modelos

eugene-peterson.jpg

Eugene Peterson em entrevista à editora Eerdmans publicada em fevereiro de 2005:

Quando me tornei pastor, eu não sabia o que é ser pastor. Eu percebi que era uma vida muito complicada em que eu tinha de lidar não somente com o Pai, Filho e Espírito Santo, mas com almas preciosas da congregação. Mas quando olhei ao redor, parecia que muitos pastores do meu país tinham adotado a linguagem do mercado e dos empresários (despersonalizando as “almas” e transformando-as em consumidores ou clientes) e tornado os sociólogos e psicólogos seus mestres (desprezando o auxílio dos teólogos e dos artistas). Eles adaptaram a vocação pastoral para servir ao critério de sucesso tal qual é definido pela cultura norte-americana. Eu quis recuperar, para mim mesmo, as condições bíblicas e teológicas em que eu pudesse ser um pastor com integridade — e sendo um escritor, escrever era uma forma de descobrir e articular o que eu estava procurando. Escrevi meus livros antes de tudo para mim mesmo, tentando entender e viver em minha congregação o que notei que os pastores que me precederam haviam feito por 2.000 anos. Nesse processo, desenvolvi um senso de urgência e responsabilidade no sentido de resgatar o entendimento do que é vocação pastoral para meus irmãos e irmãs que pastoreiam.