o vento

Compartilho uma canção nascida há uma década. Fiquei super feliz de saber que os Vencedores por Cristo a estavam cantando. Segue o video!

O Vento

O vento varre as velhas ruas
da nossa linda capital,
o vento leva o barco ao longe
e arrasta as folhas no quintal,
pois ele sabe que é outono
e à tarde traz o seu sinal,
desenha um universo novo
nas nuvens brancas do varal.

O vento sobe uma colina
assobiando uma canção.
Ele atravessa uma avenida,
depois da antiga estação.
O vento desce uma ladeira,
abraça o velho casarão,
depois visita uma favela
e alegra um triste coração.

Quem sabe de onde vem o vento?
Quem sabe para onde vai?
Assim é todo o que é nascido
Do Eterno Espírito do Pai.

O vento corta as verdes ondas
do nosso belo e imenso mar,
espalha flores e aromas,
faz a floresta se agitar.
O vento traz um pensamento
ao escritor a meditar,
levanta o leve passarinho
no seu desejo de voar.

altar

Eis mais um famoso poema de George Herbert. Além da forma refinada e inovadora, há um um profundo material para reflexão sobre nosso humano coração.

Um  ALTAR,  Senhor,  teu  servo  constrói,
Feito de um coração e cimentado com lágrimas:
Cujas  partes  são  moldadas  por  tua  mão;
Nenhuma ferramenta de artesão jamais tocou nele.
Um CORAÇÃO assim
É como uma pedra,
Que nada senão teu poder
É  que  pode  entalhar.
Por  isso,  cada  parte
Do meu duro coração
Encontra-se nessa forma
Para louvar teu Nome;
De modo que, se um dia eu repousar em paz,
Estas pedras jamais cessem de louvar-te.
Ó, que teu bendito SACRIFÍCIO seja meu,
E santifica este ALTAR, para que seja teu.

George Herbert (1593-1633)

dicas para uma vida sustentável

jesus and the earthAo final do livro Jesus e a Terra, de James Jones, há um anexo com sugestões práticas para uma vida ecologicamente mais responsável e sustentável. Eis aqui uma síntese:

1) Economize água. Diminua o tempo do banho; feche a torneira enquanto escova os dentes; use regador em vez de mangueira; varra a calçada em vez de lavá-la.

2) Economize energia. Use lâmpadas econômicas e aparelhos eletrodomésticos com o selo PROCEL. Evite deixar aparelhos eletro-eletrônicos em standby

3) Separe o lixo.

4) Certifique-se da origem da madeira utilizada nos móveis de sua casa. Prefira madeiras com certificado de procedência, de florestas de manejo sustentável.

5) Faça compostagem doméstica.

6) Deixe terra à vista no quintal. Nas calçadas, utilize material permeável pela água.

7) Seja solidário. Doe roupas, sapatos, etc.

8) Imprima menos papel, apenas o que for indispensável.

9) Reutiliza papéis.

10) Compatilhe materiais de escritório: canetas, lápis, clipes…

11) No escritório, utilize materiais reciclados: papel, lápis, canetas…

12) Dispense o copo descartável. Prefira usar a sua própria caneca durável.

13) Use roupas adequadas à estação. Assim, o ar-condicionado pode funcionar em potência mais baixa.

14) Caminhe e pedale.

15) Compartilhe caronas.

16) Use transportes coletivos.

17) Não jogue lixo no chão.

18) Na Igreja, dispense o copo descartável.

19) Imprima os boletins da Igreja em papel reciclado. Um exemplar por família.

20) Colabore no processo de sensibilização e mudanças práticas.

21) Evite o excesso de embalagem nas compras.

22) Use retornáveis. Abandone os produtos descartáveis: copos, pratos, talheres, garrafas…

23) Prefira produtos locais. Visite as feiras livres.

24) Consuma menos.

(Jesus e a Terra, p. 117-121)

as crônicas de zazo

zazoConheci pessoalmente o Zazo no último Som do Céu. Tive o privilégio de ouvi-lo cantar ao lado de sua família. Suas canções são cheias de sabedoria e ritmo. Acabei de ler suas crônicas, que também são cheias de sabedoria, senso de humor, ironia e muita poesia.

Ao ler seus contos, caminhamos pelas ruas do Rio de Janeiro, pelas avenidas de Brasília, pelas estradas do Brasil, e conhecemos personagens muito especiais. Há riso, há emoção, há reflexão. Cada palavra parece ser colocada ali como quem monta um quebra-cabeças, com o maior cuidado e atenção.

“‘QUANTO SERÁ QUE TERMINOU O JOGO?’ O PENSAMENTO NÃO SAÍDA DA CABEÇA de Ronaldo, nosso irmão querido, membro de uma igreja na Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. Esse mano, que integrava o coro da igreja, tinha uma característica peculiar: era flamenguista… doente! Me digam os entendidos no assunto, se não seria redundância dizer que um flamenguista é doente… perdoe, leitor ou leitora flamenguista. É só brincadeirinha.

O drama de Ronaldo era o seguinte: o período de cânticos já havia terminado. Àquela altura, já haviam se passado bem uns quarenta minutos do final da partida, e nem sinal de uma vitória do time do coração… o culto passava pelo período de dízimos e ofertas.

‘Quanto será que terminou o…?’ A angústia era indescritível….” (p. 27).

Não sei se é porque eu sou vascaíno, mas achei a piada muito boa.

Cada história transpira alegria, criatividade e graça de Deus. A vida humana é revelada com toda honestidade e misericórdia. Pouco a pouco o leitor é cativado pelas narrativas, pela voz casual do narrador e pela verdade das personagens, identificado-se com os seus dramas e dilemas. Subitamente, nós é que somos lidos.

As Crônicas e os Contos de Zazo. Brasília: Editora Palavra, 2008.

som de passarim

Esse é o título do CD de Ivan Melo, que acaba de ser lançado. O disco traz uma sonoridade bem brasileira e contemporânea, utilizando uma linguagem altamente poética que vem lá das Minas Gerais. Destaque para a canção que dá título ao CD e às canções “Alumiô”, de autoria do próprio Ivan, “Jesus é Rei”, de Jorge Rehder, e “Palavras”, interpretada por João Alexandre. ivan1

ivan2

george herbert e as abelhas

Sou professor de Literatura Inglesa e tenho muito carinho pelos poetas metafísicos. Entre eles, há um que me comove sempre: George Herbert. Foi com surpresa que encontrei, ao ler o livro Jesus e a Terra, de James Jones, este pequeno poema:

“As abelhas trabalham para o homem; e ainda assim elas nunca ferem a flor do seu patrão, mas deixam-na, após terminar, tão formosa como sempre, tão viçosa como antes; E assim tanto a flor sobrevive como o mel escorre” (George Herbert).

jesus e a terra

Para os que leem inglês, segue o original completo do poema “Providence”. Vale a pena. Qualquer hora eu traduzo:

O Sacred Providence, who from end to end
Strongly and sweetly movest! shall I write,
And not of thee, through whom my fingers bend
To hold my quill? shall they not do thee right?

Of all the creatures both in sea and land
Onely to Man thou hast made known thy wayes,
And put the penne alone into his hand,
And made him Secretarie of thy praise.

Beasts fain would sing; birds dittie to their notes;
Trees would be tuning on their native lute
To thy renown: but all their hands and throats
Are brought to Man, while they are lame and mute.

Man is the worlds high Priest: he doth present
The sacrifice for all; while they below
Unto the service mutter an assent,
Such as springs use that fall, and windes that blow.

He that to praise and laud thee doth refrain,
Doth not refrain unto himself alone,
But robs a thousand who would praise thee fain,
And doth commit a world of sinne in one.

The beasts say, Eat me: but, if beasts must teach,
The tongue is yours to eat, but mine to praise.
The trees say, Pull me: but the hand you stretch,
Is mine to write, as it is yours to raise.

Wherefore, most sacred Spirit, I here present
For me and all my fellows praise to thee:
And just it is that I should pay the rent,
Because the benefit accrues to me.

We all acknowledge both thy power and love
To be exact, transcendent, and divine;
Who dost so strongly and so sweetly move,
While all things have their will, yet none but thine.

For either thy command, or thy permission
Lay hands on all: they are thy right and left.
The first puts on with speed and expedition;
The other curbs sinnes stealing pace and theft.

Nothing escapes them both; all must appeare,
And be dispos'd, and dress'd, and tun'd by thee,
Who sweetly temper'st all. If we could heare
Thy skill and art, what musick would it be!

Thou art in small things great, not small in any:
Thy even praise can neither rise, nor fall.
Thou art in all things one, in each thing many:
For thou art infinite in one and all.

Tempests are calm to thee; they know thy hand,
And hold it fast, as children do their fathers,
Which crie and follow. Thou hast made poore sand
Check the proud sea, ev'n when it swells and gathers.

Thy cupboard serves the world: the meat is set,
Where all may reach: no beast but knows his feed.
Birds teach us hawking; fishes have their net:
The great prey on the lesse, they on some weed.

Nothing ingendred doth prevent his meat:
Flies have their table spread, ere they appeare.
Some creatures have in winter what to eat;
Others do sleep, and envie not their cheer.

How finely dost thou times and seasons spin.
And make a twist checker'd with night and day!
Which as it lengthens windes, and windes us in,
As bouls go on, but turning all the way.

Each creature hath a wisdome for his good.
The pigeons feed their tender off-spring, crying,
When they are callow; but withdraw their food
When they are fledge, that need may teach them flying.

Bees work for man; and yet they never bruise
Their masters flower, but leave it, having done,
As fair as ever, and as fit to use;
So both the flower doth stay, and hony run.

Sheep eat the grasse, and dung the ground for more:
Trees after bearing drop their leaves for soil:
Springs vent their streams, and by expense get store:
Clouds cool by heat, and baths by cooling boil.

Who hath the vertue to expresse the rare
And curious vertues both of herbs and stones?
Is there a herb for that? O that thy care
Would show a root, that gives expressions!

And if an herb hath power, what have the starres?
A rose, besides his beautie, is a cure.
Doubtlesse our plagues and plentie, peace and warres
Are there much surer then our art is sure.

Thou hast hid metals: man may take them thence;
But at his peril: when he digs the place,
He makes a grave; as if the thing had sense,
And threatned man, that he should fill the space.

Ev'n poysons praise thee. Should a thing be lost?
Should creatures want for want of heed their due?
Since where are poysons, antidots are most:
The help stands close, and keeps the fear in view.

The sea, which seems to stop the traveller,
Is by a ship the speedier passage made.
The windes, who think they rule the mariner,
Are rul'd by him, and taught to serve his trade.

And as thy house is full, so I adore
Thy curious art in marshalling thy goods.
The hills and health abound; the vales with store;
The South with marble; North with furres & woods.

Hard things are glorious; easie things good cheap.
The common all men have; that which is rare,
Men therefore seek to have, and care to keep.
The healthy frosts with summer-fruits compare.

Light without winde is glasse: warm without weight
Is wooll and furres: cool without closenesse, shade:
Speed without pains, a horse: tall without height,
A servile hawk: low without losse, a spade.

All countreys have enough to serve their need:
If they seek fine things, thou dost make them run
For their offence; and then dost turn their speed
To be commerce and trade from sunne to sunne.

Nothing wears clothes, but Man; nothing doth need
But he to wear them. Nothing useth fire,
But Man alone, to show his heav'nly breed:
And onely he hath fuell in desire.

When th'earth was dry, thou mad'st a sea of wet:
When that lay gather'd, thou didst broach the mountains:
When yet some places could no moisture get,
The windes grew gard'ners, and the clouds good fountains.

Rain, do not hurt my flowers; but gently spend
Your hony drops: presse not to smell them here:
When they are ripe, their odour will ascend,
And at your lodging with their thanks appeare.

How harsh are thorns to pears! and yet they make
A better hedge, and need lesse reparation.
How smooth are silks compared with a stake,
Or with a stone! yet make no good foundation.

Sometimes thou dost divide thy gifts to man,
Sometimes unite. The Indian nut alone
Is clothing, meat and trencher, drink and kan,
Boat, cable, sail and needle, all in one.

Most herbs that grow in brooks, are hot and dry.
Cold fruits warm kernells help against the winde.
The lemmons juice and rinde cure mutually.
The whey of milk doth loose, the milk doth binde.

Thy creatures leap not, but expresse a feast,
Where all the guests sit close, and nothing wants.
Frogs marry fish and flesh; bats, bird and beast;
Sponges, non-sense and sense; mines, th'earth & plants.

To show thou art not bound, as if thy lot
Were worse then ours; sometimes thou shiftest hands.
Most things move th'under-jaw; the Crocodile not.
Most things sleep lying; th’ Elephant leans or stands.

But who hath praise enough? nay who hath any?
None can expresse thy works, but he that knows them:
And none can know thy works, which are so many,
And so complete, but onely he that owes them.

All things that are, though they have sev'rall wayes,
Yet in their being joyn with one advise
To honour thee: and so I give thee praise
In all my other hymnes, but in this twice.

Each thing that is, although in use and name
It go for one, hath many wayes in store
To honour thee; and so each hymne thy fame
Extolleth many wayes, yet this one more.

água no deserto

agua capaEis o novo CD: Água no Deserto. Ele traz um punhado de canções que marcaram minha vida nestes últimos anos. A idéia é de continuidade, não de ruptura, com o que eu já vinha fazendo nos anos anteriores: lidar com poesia, com temas do cotidiano, refletir sobre a realidade social e também sobre a dimensão espiritual da vida.

Compartilho com vocês uma das canções do disco. Ela fala de um pássaro que pousou certa vez na soleira de minha janela, fala da angústia que vivem os animais ao nosso redor, fala do que temos feito ao meio ambiente e como isso tudo é visto na perspectiva da natureza que clama a Deus por socorro.

Não se deve temer o cotidiano, não se deve esquecer a realidade da nossa vida. É ali que se encontram a dracma perdida, o samaritano, os pescadores da Galiléia, o casamento em Caná, o publicano Zaqueu, as parábolas de Jesus, os sonhos de Jacó. É no chão batido do dia a dia que Jesus escreve na areia e a multidão fica perplexa. É ali que o Mestre pede água junto ao poço. É ali que Marta lava louça enquanto Maria fica aos pés de Jesus.

Assim, neste disco celebra-se a amizade, o amor, a esperança; reflete-se sobre o país em que vivemos, o mundo e seus tantos desafios; canta-se a variedade de culturas que compõem o Brasil, as cores, os ritmos, os sons, as vozes de tanta gente que faz esta nação; medita-se sobre a natureza, as aves, os mares, as montanhas, as águas que nos cercam; declara-se amor integral àquele que nos criou.

agua fundo

Passarinho

Ele pousa na soleira

Da janela principal

Chama a sua companheira

Com algum sinal

Olha tudo curioso

Minha sala, meu sofá,

Faz a festa, grita, pula

Dança até cansar

Canta, curió! Canta, sabiá!

Sabe lá o que sonha ou sofre um pobre tangará?

Ele vai voar, vai voltar pro céu,

Vai contar ao Pai do céu o que ele viu aqui.

E vai dizer que não há rio

Que não esteja por morrer

Dizer que a mata já sumiu de vez

E que a vida sofre no estio

E o mar não pára de gemer

Que a Terra inteira faz se aquecer

Vento vem soprar

Vento vem dizer

Que a esperança também dança

Neste amanhecer

E que haverá tempo de virar

De mudar o rumo e de pousar no ar


 
icon for podpress  o passarinho [3:20m]: Play Now | Play in Popup

carta do som do céu

Estive lá, participei do processo e subscrevo o documento.

carta som do ceu
Nós, músicos, artistas e líderes eclesiásticos, cristãos, vindos das variadas regiões brasileiras, estivemos reunidos entre os dias 6 a 12 de abril de 2009, no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, dias de comemoração dos 25 anos do Som do Céu, para discutir dois temas principais: “A música e os músicos na igreja” e “A igreja como promotora de cultura”.

Agradecemos a Deus pelos dias de comunhão fraterna entre nós e pelo privilégio de ouvi-lo entre as vozes pastorais e proféticas que ecoaram em nosso meio. Reconhecemos que a música cristã tem ocupado um espaço significativo em nossos dias, tanto na igreja como na sociedade em geral. No entanto, observamos que nem sempre essa participação tem sido consistente e coerente com a Palavra de Deus – nosso referencial maior – nem rendido glórias ao Senhor da Igreja. Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a “Carta do Som do Céu”, sintetizada em 25 pontos, que resume nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, nesse princípio de século XXI:

1. O artista cristão deve desenvolver o seu dom criativo e submetê-lo exclusivamente aos valores da Palavra de Deus;

2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda humanidade e não está restrita aos cristãos;

3. Desejamos que haja coerência entre a vida, o ministério e a profissão do artista cristão, cujo discurso deve estar aliado à sua prática;

4. Esperamos que o artista cristão busque servir a Deus e à sociedade com excelência e integridade, dedicando-se ao desenvolvimento dos talentos e dos dons recebidos do alto;

5. A igreja precisa estar atenta ao artista cristão como parte do rebanho de Deus e dar a ele a atenção devida, despida de preconceitos, e oferecer-lhe pastoreio e discipulado, objetivando a sua formação espiritual e ética;

6. Esperamos que o artista cristão esteja envolvido em uma igreja local, servindo-a e amando-a como Corpo de Cristo. Deve ser rejeitada toda e qualquer tentativa de desenvolvimento de uma fé individualista e distante da comunidade;

7. Reafirmamos que a elaboração de textos e letras deve ter embasamento nos valores da Palavra de Deus;

8. Comprometemo-nos a dedicar atenção e reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais atividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem sutilmente em nossas comunidades;

9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que louvor e adoração restringem-se à musica, ensinando, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;

10. A igreja deve agir como facilitadora na adoração e abrir espaço para que todos expressem seu louvor a Deus;

11. Esperamos que o músico cristão busque e desenvolva a santidade, vivendo uma vida piedosa, tanto no serviço prestado a Deus na igreja, quanto fora dela, em sua atividade profissional;

12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a sua glória;

13. A Igreja não se pode esquivar de sua responsabilidade diante da cultura na qual está inserida; deve mentoriar a reflexão e a prática de uma teologia de arte e cultura;

14. Incentivamos as igrejas a abrir suas dependências para a realização de eventos culturais como exposições, mostras, cursos, saraus e outras atividades visando à educação, à divulgação e à aproximação da sociedade;

15. Mesmo entendendo que todo trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza de recursos para tal;

16. Entendemos que nossa arte deve encarnar uma voz profética e manifestar em seu conteúdo os valores do Reino;

17. Recomendamos que as igrejas promovam encontros de reflexão sobre a utilização das artes no Reino de Deus, capacitando os artistas para a realização de seu trabalho;

18. Incentivamos os músicos a expressar em sua arte a beleza de Deus por meio de uma contextualização e diversidade musical;

19. Reconhecemos o caráter essencialmente transformador e questionador da nossa arte e não cremos que ela deva estar a serviço do mercado;

20. Muito embora os artistas cristãos não se devam render aos senhores da mídia, tornando-se reféns desta, podem utilizar de maneira ética os meios de comunicação como canal para a divulgação de sua arte, proclamando, assim, o Reino de Deus;

21. No que se refere ao relacionamento entre os músicos e a liderança eclesiástica, encorajamos o diálogo, o respeito e o reconhecimento mútuo de seus ministérios como algo dado por Deus;

22. Incentivamos que os artistas cristãos busquem perante o Estado e a iniciativa privada recursos para a promoção de sua arte por meio de leis de incentivo à cultura, editais para financiamento de projetos culturais etc.

23. Encorajamos as igrejas a investir na educação e na formação de artistas;

24. Propomos que as igrejas e as instituições de ensino teológico incentivem as diversas manifestações artísticas e não somente a área musical;

25. Compreendemos que o ofício de artista é legítimo como tantos outros, podendo ser exercido pelo artista cristão no mercado de trabalho e devendo ser apoiado e incentivado pelas comunidades cristãs.

São Sebastião das Águas Claras, 9 de abril de 2009.

Assinam:

Debatedores:

Aristeu de Oliveira Pires Junior – Canela (RS)

Carlinhos Veiga – Brasília (DF)

Denise Bahiense – Rio de Janeiro (RJ)

Erlon de Oliveira – Belo Horizonte (MG)

Gladir Cabral – Florianópolis (SC)

João Alexandre Silveira – Campinas (SP)

Jorge Camargo – São Paulo (SP)

Jorge Redher – São Paulo (SP)

Marcos André Fernandes – Garanhuns (PE)

Marlene F. Vasques – Goiânia (GO)

Nelson Marialva Bomilcar – São Paulo (SP)

Paulo César da Silva – São José dos Campos (SP)

Romero Fonseca – Goiânia (GO)

Rubão Rodrigues Lima – Brasília (DF)

Sérgio Paulo de Andrade Pereira – Ribeirão Preto (SP)

Wesley Vasques – Goiânia (GO)

Demais participantes:

Alfredo de Barros Pereira – Brasília (DF)

Andréa Laís Barros Santos – Maceió (AL)

Aracy Clarkson Ferreira – Rio de Janeiro (RJ)

Armando de Oliveira – Salvador (BA)

Bruno Leonardo Alves da Fonsêca – Garanhuns (PE)

Caio César da Silva Pereira – Brasília (DF)

Carolina Gama – Campinas (SP)

Carolina Lage Gualberto – Belo Horizonte (MG)

Cláudia Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF)

Danielle Martins Lima – (MG)

Davi Julião – São Paulo (SP)

Dora Bahiense – Florianópolis (SC)

Elecy Messias de Oliveira – Goiânia (GO)

Fábio Cândido de Jesus – Anápolis (GO)

Felipe de Freitas Hermsdorff Vellozo – Niterói (RJ)

Francely F. Barbosa – Anápolis (GO)

Glauber Toledo Plaça – São Paulo (SP)

Gleice de Oliveira Vicente Cantalice – Maceió (AL)

Guilherme e Alessandra Fontes Vilela Carvalho – Belo Horizonte (MG)

Guilherme Praxedes – Belo Horizonte (MG)

Hadassa de Moraes Alves – Viçosa (MG)

Irineu Santos Junior – Belo Horizonte (MG)

Isabella Sarom Sabino Honorato – Anápolis (GO)

Ismael S. Rattis – Brasília (DF)

João Carlos Pereira Junior – Vitória (ES)

Jocemar “Mazinho” Filho – Recife (PE)

Jônatas de Souza Reis – Belo Horizonte (MG)

Karen Bomilcar – São Paulo (SP)

Leonardo de Azeredo Peclát – Goiânia (GO)

Leonardo Rodrigues Barbosa – Brasília (DF)

Lidiane Dutra da Silva – (MA)

Marcel Martins Serafim – Jacareí (SP)

Marcelo Gualberto da Silva – Belo Horizonte (MG)

Márcia Pacheco Foizer – Brasília (DF)

Marilda Redher – São Paulo (SP)

Marivone Lobo Pereira – Ribeirão Preto (SP)

Pedro Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF)

Rafael Ribeiro Santos – São Paulo (SP)

Renata Telha Ferreira – Rio de Janeiro (RJ)

Roberto Cândido de Barros – Curitiba (PR)

Selma de Oliveira Nogueira – São Paulo (SP)

Silvestre Moysés Loyolla Kuhlmann – São Paulo (SP)

Stênio Március – São Paulo (SP)

Talita Estrela R. Martins – Belo Horizonte (MG)

Vânia Sathler Lage – Belo Horizonte (MG)

Walma Oliveira – Rio de Janeiro (RJ)

Terra em Transe

airoEste é o título do CD de Airô Barros, que acabou de ser lançado em São Paulo. É uma honra para mim ter uma canção incluída nesse trabalho, que traz tantos belos poemas de autores como Roberto Diamanso, Gerson Borges, Gustavo Tiné, Jean e Paulo Garfunkel, além da própria Airô, poeta inspirada daquele mesmo elã nordestino que se reflete em Diamanso.

Visite o site de Airô e confira algumas canções ali disponibilizadas: www.airobarros.com.br.  Tem também as fotos do encarte, que está primoroso.

visita do super-herói

Pois é, gente. Não é que recebi a visita de meu super-herói?! Não é todo dia que a gente tem esses privilégios. Arthur veio até minha casa, conversamos, tocamos música (ele toca bateria!), tomamos refri, trocamos figurinha, como se diz. Fiquei feliz da vida por essa visita inesperada, e espero que ele venha mais vezes.

Sabe de uma coisa: a intensidade de nosso amor não depende tanto da proximidade das pessoas, mas da verdade de nosso sentimento e da força de nossa ligação. E quando a gente ama, a gente ora pelo amado, a gente chora junto, a gente ri, a gente espera o tempo que for necessário para se encontrar de novo.

Um grande abraço pra você, Arthur. E até a próxima, neste mesmo batcanal.

arthur2arthur1