a paz
Diante do que aconteceu hoje no Rio de Janeiro, das mortes que ocorrem todos os dias no Brasil e diante dos grandes conflitos que se espalham por este mundo, quero compartilhar uma canção que fiz a algum tempo e que de certa forma expressa o desejo de que a paz se estabeleça de fato em nossa terra. Uma oração pela paz, na voz de Gezilane de Sá.
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Ontem sonhei com um menino
Brincando de aquarela.
Pintava com um sorriso
Uma página amarela
Desenho esquecido
Nas folhas de jornal.
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Cada notícia acinzentada
Trazia um novo tema,
E a mão toda agitada
Criava o seu poema.
A lua na calçada
E a estrela no quintal.
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Verde das folhas da floresta,
O vôo das araras,
Os bichos numa festa,
Os rios de águas claras
E o céu também empresta
O brilho que ele traz.
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Sol que abraça toda a Terra
Convida o universo
A pedir o fim da guerra
Fazer um novo verso
Que fale de esperança
E cante só a paz.
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Quero sonhar com o menino
E a lua prateada,
Com o mundo mais amigo,
A Terra mais amada,
A vida mais amena,
Mais cheia de amor.
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quando estou triste
Uma canção feita há um ano, parceria preciosa com o admirável Silvestre Kuhlmann. Compartilho esta gravação com acompanhamento ao piano pelo Daniel Lenço.
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Quando estou triste
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Quando estou triste, leio
Nas letras encontro recreio
Despeço-me do mundo feio
A literatura é um meio
De ver meu dilema
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Quando estou triste, rimo,
Faço das rimas, arrimo,
Tiro, das pedras, o limo,
Dou-me um presente, um mimo:
Um novo poema.
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Quando estou triste, canto,
Achego-me àquele que é Santo;
E em êxtase, cheio de encanto,
Saio do chão, me levanto.
Esqueço o problema.
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Gladir Cabral & Silvestre Kuhlmann
banzo
Esta é a última canção do projeto, fala de saudade e de esperança. Ela nasceu da leitura do Salmo 6 e da pergunta que sempre volta nos dias de grande tribulação: “Até quando, Senhor, até quando?” (Sl 6.3). Criação coletiva, ela teve a participação do Thiago, que está lá em Belém do Pará; do Fabrício, que está no Rio de Janeiro; do José Barbosa, que está em Teresópolis; e do Gladir, que está em Criciúma. Pode-se dizer que ela tem um pedacinho de cada canto deste Brasil.
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Banzo
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Saudade é uma dor invisível na gente
Amor e ausência no mesmo lugar
O banzo que bate, a tristeza doente
Desejo de algo impossível de achar
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Saudade é amor que se foi de repente
Um belo poema que nos faz chorar
Cadência do samba que fez-se poente
Semente que morre e não quer germinar
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Me diz até quando, Senhor, a gente segura?
O copo transborda de dor até se partir
A vida é difícil demais, a noite é escura
Ensina o caminho do sol pro mundo luzir
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Saudade é uma dor latejante e latente
É chuva pesada que vem pra ficar
O tempo passando e a gente em silêncio
Querendo um passado que possa voltar
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Saudade é olhar cada gota de orvalho
Qual lágrima quente e silente no olhar
O mundo tão vasto é o revés do sentido
Um belo horizonte perdido no ar.
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Me diz até quando, Senhor, a gente suporta?
O corpo transpira de dor até se esgotar
Se a vida é pra gente viver, vem, abre uma porta
E dá novas forças, ó Pai, pra recomeçar
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Fabrício Matheus, Thiago Azevedo, José Barbosa Júnior & Gladir Cabral
lágrimas
Esta é a penúltima canção de nosso projeto Canções para o Rio. A ideia aqui é contrapor a forma como o Criador fez todo o mundo transbordar em águas: fontes, corredeiras, rios, mares… Mas ao mesmo tempo, esse mesmo Deus promete secar dos olhos toda a lágrima. Isso nos parece algo fascinante. Alegria e tristeza, beleza e dor, aflição e consolo. Uma canção de esperança de que nenhum lamento será perdido ou ficará sem resposta. Ao final de tudo, ao fim desta grande história humana, a palavra que virá de Deus é de vida e restauração, alegria e plenitude.
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Lágrimas
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Aquele que fez essas águas brotarem nas fontes
Fez os riachos brincarem alegres de rio
Fez as cascatas sorrirem nos ombros dos montes
E as corredeiras cantarem nos dias de abril
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Também irá secar as lágrimas
E as mágoas deste cais
E os incontáveis ais
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Então, irá secar as lágrimas
E as mágoas deste cais
E os incontáveis ais
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Aquele que fez o sereno da noite tristonha
Fez um oásis de vida pra gente sorrir
Fez a baía banhar este sol no horizonte
E as chuvas que fazem a terra sedenta florir
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Também irá secar as lágrimas
E as mágoas deste cais
E os incontáveis ais
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Então, irá secar as lágrimas
E as mágoas deste cais
E os incontáveis ais
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Águas do Paquequer
Águas de Itapuã
Correntezas do Paraná
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Águas do Guajará
Águas do Itajaí
Corredeiras do Corumbá
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Também irá secar as lágrimas
E as mágoas deste cais
E os incontáveis ais
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Então, irá secar as lágrimas
E as mágoas deste cais
E os incontáveis ais
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Fabrício Matheus & Gladir Cabral
canção de ninar
Esta é uma canção de ninar para tempos de turbulência, como os nossos, tempos em que olhamos para nossos filhos, depois para o futuro, depois para os nossos filhos…
Queremos dedicá-la às crianças que sofreram tanto com as enchentes no Rio de Janeiro, principalmente àquelas que perderam tudo, inclusive seus pais. Mas queremos dedicá-la de modo especial ao pequeno Nicolas, que se salvou dos escombros graças ao carinho e socorro do seu pai Wellington, depois de 15 horas soterrado.
Se um dia Deus permitir visitá-los, queremos cantar esta canção para eles, pessoalmente.
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Canção de ninar
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Menino, já é bem tarde
E está na hora de adormecer
Uma estrela já foi pra outra cidade
Que estava pra amanhecer
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Te conto alguma história
De aventuras e emoções
Com castelo dourado à beira do lago
Mocinhos e vilões
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Nós vamos sonhar um pouco
Com nuvens de algodão
No dia mais claro, o vento mais solto
Voando na imensidão
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Se a gente fechar os olhos
Consegue até ver o sol
Pousando de leve na nossa janela
Nas asas de um rouxinol
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Menino, não tenha medo
O meu abraço é todo seu
Ouve o meu coração contar um segredo
Que ainda não esqueceu
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O amor vence o perigo
E traz a luz pra escuridão
Fortalece o herói, socorre o amigo
E quem está no chão
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Nós vamos sonhar um pouco
Com nuvens de algodão
No dia mais claro, o vento mais solto
Voando na imensidão
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Se a gente fechar os olhos
Consegue até ver o sol
Pousando de leve na nossa janela
Nas asas de um rouxinol
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Thiago Azevedo, Fabrício Matheus, Gladir Cabral
zé barbosa
Fazer esta canção foi um prazer. Ela expressa a importância de ter alguém desafiando a gente à comunhão, incomodando os acomodados, alertando para os espertalhões que existem por aí e andando junto dos que sofrem. Imaginamos três momentos: o primeiro, do mutirão pela reconstrução das casas destruídas em Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis; o segundo, o alerta que o Zé nos deu quanto aos políticos e suas promessas muito insólitas e quanto à importância de ficarmos em cima, cobrando a distribuição justa dos recursos, o investimento em infra-estrutura para as cidades destruídas pelas águas, etc.; o terceiro, e ainda está para acontecer, o pagode na casa do Zé. O pagode surge como o símbolo da alegria da reconstrução, a festa da comunhão, a festa da esperança.
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Zé Barbosa
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Zé Barbosa falou que é pra gente ajudar
“O meu Rio de Janeiro”
Pois então, pessoal, é melhor começar
Mergulhar de corpo inteiro
Pega aquela madeira que tava guardada
E com prego e martelo faz nova morada
Tira a pá recolhe a areia
E a telha pra cá
Traz as coisas de fora de volta pra dentro
E no porta-retrato um novo momento
Tira a cinza da lareira e enfeita o lar
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Zé Barbosa falou que é pra recomeçar
Combinou tá combinado
Mas tem gente chegando pra se aproveitar
Sujeitinho mais folgado!
Eles chegam pra gente no meio do pranto
Eles pousam na foto com cara santo
E prometem tanta coisa, sinhô
Melhor é se antenar
Se os home não fazem o que estava escrito
E quiserem ganhar esse povo no grito
Não se pode dar bobeira, não, a gente vai cobrar
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Zé Barbosa falou que é pra gente chegar
Nesse Rio de Janeiro
E fazer um pagode pra comemorar
Que acorde o mundo inteiro
Olha quanta beleza, essa gente animada
A panela na mesa, a melhor feijoada
Vai dizer que tá no ponto, vai.
Tempero tá que tá!
Zé Barbosa cantando anima a moçada
Este samba rolando, a maior batucada
Porque a gente tem direito, sim, de junto celebrar
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Thiago Azevedo, Fabrício Matheus, Gladir Cabral
valha-me, Deus
Esta canção foi uma das mais difíceis de serem escritas até aqui. Teve um tempo relativamente longo de gestação, talvez pela intensidade emocional que está ligada a ela. Quisemos usar a expressão popular entre os falantes da língua portuguesa: “Valha-me, Deus”, que geralmente sai de nossa boca em momentos de muito apuro ou desespero. Nossa intenção aqui é pegar esse momento de angústia intensa e ampliá-lo em forma de canção. É o grito de socorro do indivíduo na hora da dor. É busca aos céus por uma resposta.
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Valha-me Deus
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Valha-me, Deus
Por que já não tenho forças pra andar
Os meus pés estão cansados demais
E eu não sei qual o caminho
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Valha-me Deus
Não é fácil ter de recomeçar
E deixar o que ficou para trás
Eu me sinto tão sozinho
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Olha, meu Deus
Me perdoa esta amargura no olhar
Meu sorriso foi pra outro lugar
Vai demorar, eu sei
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Valha-me Deus
Minha vida é uma ponte a desabar
Brumas e breus
Passarinho que não sabe mais voar
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Olha, meu Deus
Se é sonho, manda alguém me acordar
Se é noite, faz o céu clarear
Faz-me querer viver
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Valha-me, Deus
Por que já não tenho forças pra andar
Os meus pés estão cansados demais
E eu não sei qual o caminho
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Valha-me Deus
Não é fácil ter de recomeçar
E deixar o que ficou para trás
Eu me sinto tão sozinho
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Olha, meu Deus
Estes braços estendidos no ar
Esta correnteza quer me levar
Vai me levar, eu sei
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Valha-me Deus
Pois parece que o céu vai despencar
Reis e plebeus
Esperando só o dia despertar
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Olha, meu Deus
Dorme alguém que não devia dormir
Parte alguém que não devia partir
Parte-se a vida, enfim
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Thiago Azevedo, Fabrício Matheus, Gladir Cabral
o cartola falou
Esta canção faz parte do Projeto “Canção para o Rio” e tem duas intenções bem claras: fazer uma homenagem ao compositor popular que foi o Cartola e chamar os que sofrem para ouvir a voz da esperança. Acabou de nascer. Ainda ontem eu estava pensando: o que Cartola teria a dizer ao povo do Rio depois de tanto sofrimento com as chuvas? Bom, acho que seria uma lembrança daquilo que já disse em canção: “Finda a tempestade / O sol nascerá”. Se o Cartola falou, tá falado.
A canção quer dizer, àquele que está sozinho e abatido, que abra a janela, que olhe pra frente, pois ainda há uma vida pra viver e é preciso recomeçar, mesmo que isso seja muito difícil.
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O Cartola falou
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Se o Cartola falou
que o sol nascerá, é verdade
O aguaceiro passou,
o arco íris brilhou hoje à tarde
Mas o dia, só ele é que sabe
O que guarda no alforje pra nós
É preciso soltar essas velas
E amarrar esses nós
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Quando a lona da noite se estende
por sobre a cidade
ao mandar o faminto pra cama,
pois já é muito tarde,
picadeiro repousa em silêncio,
mas ainda conserva o calor.
O palhaço carrega o sorriso
Até mesmo na dor
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A manhã vai trazer alegria
pelos braços da aurora
mas o doce perfume das rosas
eu pressinto é agora
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Se essas águas que movem moinhos
Moerem teus dias
E ficares calado e sozinho nas horas vazias
Olha bem para a tua janela
E vê só quanta coisa mudou
Tanta gente que anda contigo
Tanto amigo que ainda restou
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Se essas águas que movem moinhos
Moerem teus sonhos
E acordares no meio da noite
Em suspiros tristonhos
Olha bem para a tua janela
E vê só quanta coisa mudou
Uma brisa suave devolve
O que o vento levou
quando esta nuvem passar
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As nuvens pesadas ameaçavam derramar dilúvios sobre as cidades já destruídas. Sombrias, pesadas, faiscando raios e trovões, tirando o sono e quem sabe até a esperança de muitos, elas dominavam a paisagem e raptavam o sol. Por mais ameaçadoras e destruidoras que sejam, as nuvens passam. Foi o Thiago que veio com essa idéia, uma menção inclusive à famosa canção “Vai passar”, do Chico Buarque. O Fabrício trouxe a melodia e mais alguns versos. Depois de uns ajustes, eis mais um samba lamento, com um raio de esperança.
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Quando esta nuvem passar
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Quando esta nuvem passar
Vamos arregaçar as mangas
Surdo, pandeiro e tam tam
Pra fazer da manhã um novo samba
Alvorada virá para nos ensinar
A sorrir e dançar uma ciranda
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Quando esta nuvem passar
Passará esta dor imensa
Um arco-íris de paz
Sorrirá para nós com esperança
Vida nova nascer, o jardim florescer
Alegria como um sonho de criança!
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Toda poesia, toda alegria
Povo na rua e festa no céu,
Riso no rosto e samba no pé
Na mesa, fartura de leite e mel
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Quando esta nuvem passar
Ela apenas será lembrança.
Melhores dias virão
E eles, sim, pesarão nesta balança
Todo mundo virá e também cantará
Na avenida a lição da nova dança
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Thiago Azevedo, Fabrício Matheus e Gladir Cabral
solidar
Depois de uma longa caminhada pelas áreas atingidas, conversando com pessoas, ouvindo histórias, levando mantimentos, vendo de perto a dor dos desabrigados, José Barbosa Junior volta pra casa e escreve isto:
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Solidar
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Só quem lida com a dor
sólida, forte e atroz
sofre o seu dissabor
garganta fechada em nós
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Solidão de quem espera
o filho que já não vem
tristeza que dilacera
o pouco que ainda tem
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Solidez que se esvai
ao simples rolar do rio
tão pesado ele cai
furioso no seu desvario
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Solitário o meu canto
ecoa por entre a chuva
as lágrimas e o pranto
do órfão e da viúva
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Solidar o que sobrou
dos cantos dessa cidade
e o canto que me restou
é o da solidariedade.
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José Barbosa Junior & Gladir Cabral

a paz [2:44m]: 